3 de setembro de 2010

Housewife desperated





Bem, estava eu calma e tranquilamente sendo a governanta da casa, tentando me acostumar com a vida de "mãetorista" e "otras cositas mas" que uma "dona de casa" e mãe é direcionada a fazer.
Digo me acostumando porque até então ainda não tinha me decidido pelo pedido de demissão, apenas estava em casa afastada.
Pra quem não sabe, sou dentista e funcionária pública. Trabalho tem 10 anos no mesmo bat-local. Tenho 13 de formada e amo ser dentista. Mas tivemos problemas aqui em casa. Meu marido teve Transtorno do Pânico (depois explico pra quem não conhece) há quase 4 anos atrás, mais ou  menos uns seis meses após o nascimento do Caio. Quase despenquei quando soube, porque na época, quem estava exausta era eu. Quase rescém parida, com 3 crias e muito stress pois ele (marido) viaja pra caramba e eu me sentia muito sozinha. Imaginem um baita homem, com quase 2 m de altura, que nunca, mas nunca mesmo, jamaisssss demontrou uma só vez um certo deslize de depressão, não conseguindo nem ir á padaria? Ficou dois meses sentado no fundo do quintal, observando a grama crescer (quero dizer com isso que o transtorno pode ocorrer com qualquer pessoa) Hoje ele está bem melhor, graças a Deus .
Bem, porque que eu tô contando tudo isso?
Tô contando pra esclarecer o porquê de eu estar em casa. Tive de optar por uso de medicamentos antidepressivos e ansiolíticos (lógico que com acompanhamento médico) pois quem iria entrar em depressão também, era euzinha, mas eu não poderia pois um neném, mais dois pequenos e mais o maridão, eu tinha mais é que fincar o pé no chão e tentar enraizá-lo o mais fundo possível, pra que eu não fosse derrubada junto!
Pedi afastamento, pois o uso dos medicamentos me faziam ficar sonolenta e bem distraída, e ainda ter de carregar o rojão daqui de casa?!!!!
Várias coisas me faziam segurar aquele emprego: o vínculo de ser funcionário público, o dinheirinho do mês, as amizades, a convivência diária com pessoas que não são do ambiente familiar( o que ás vezes, ajudam a espairecer um pouco).
Mas de que vale vc ter tudo isso e ter seus filhos irritados, convivendo com a sua correria, seu stress com as coisas que não dão tempo de ser feitas, afinal, vc tem um horário de trabalho.
Optei realmente por fazer esse teste de ficar em casa com eles e tentar comandar de perto já que papai não fica muito tempo poraqui também. Estava caminhando bem, mas faltava alguma coisa. Tenho uma ajudante diária e uma babá, pois eu ainda trabalhava, ou trabalho, legalmente falando.
Eu vivia sempre com receio de cuidar, de ficar com os dois pequenos sozinha, não sei explicar!
Mas... aconteceu que a minha babá, começou a não dormir mais aqui quando o Marcio viajava, então, aprendi a dominar o meu primeiro monstro imáginário (aquele, sabe, que mora dentro do armário). Consegui, ufa!
Aí... após um tempo, ela começou fazer faculdade e tive que aprender a dominar o segundo monstro (dessa vez aquele que vive debaixo da cama) pois ela viria somente na parte da manhã, e á tarde (após a escola), ficaria com a parte de tolerar a canseira dos dois. a janta, o banho, a hora de dormir, a birra dos dois mais a do meu aborrescente que também não é de colaborar muito. Ufa, haja sertralina e rivotril!!! Mas tudo bem, venci. Cheguei a desejar não contratar mais ninguém pra ficar comigo no período da tarde, sendo que o monstro debaixo da cama também havia sumido. Ficou a canseira somente.
Então, (ainda não acabou) ela veio na terça á noite e me disse que não viria mais nenhum período pois tinha arranjado um estágio para o dia inteiro e começaria á partir do dia primeiro (ontem). Ok, aviso prévio nada né?! Mas seria melhor deixá-la ir porque já foi um sinal de que não desejava vir mais, e obrigá-la a ficar de má vontade não seria boa coisa pois ela lida com as minhas jóias raras. Por uns instantes lembrei daquele monstro que mora de trás da porta (sabe aquele que quando vc abre a porta e ele aparece pra te dar um susto?) e comecei a me arrepiar. Como seria meu dia? Como daria conta de tudo? Como as crianças iriam se comportar? E a minha labirintite? E a fibromialgia que qdo ataca, nem antinflamatório resolve, fico mal, mal, mal! Será que a minha duracel vai suportar? 
Mas por incrível que pareça, os meus pequenos resolveram colaborar e tudo fluiu de uma forma maravilhosa que nem acreditei. E a energia que começou a circular poraqui foi tranquila e tudo caminhou bem e eu mais uma vez consegui!!!! Mais um se foi!
Pera que não acabou!
Ontem mesmo, a minha ajudante chegou as 8:00 da matina e me comunicou que o marido iria mudar de emprego e iriam se mudar de casa, por conseqüencia, nao viria mais também. Agora José? Pelo menos me garantiu que viria até eu achar outra pessoa, mas...deu 9:00 da manhã de hoje e niguém havia chegado. Liguei pro celular da querida e me disse que infelizmente não poderia vir porque estava fazendo a mudança. Meu mundo caiu... despencou, desbarrancou sei lá o que. Qual deles será que iria aparecer agora? Será que era o que mora no meu tão querido e desejado sótão? Não, ele não poderia aparecer não! Minhas pernas que estavam estremecidas e quase que sem forças, derrepente se afirmaram mais uma vez. Finca no chão fia, finca!!! Parece minha vó falando! Quem sabe, acho que é ela de lá de cima mesmo. E o monstro? Foi-se mais esse!
Não nego que estou preocupada, pois sem ajudante, não dá. Sem babá, fiquei bem porque as crianças receberam minhas boas energias e colaboraram tanto que até achei que o que os estressava demais era a presença da babá, que embora muito responsável, não gostava muito de brincar. E eu, hoje tiro todo tempo com eles pra bagunça, estabelecendo rotina e respeito por mim.
Fiquei orgulhosa de mim mesma e encaro tudo isso como uma mudança necessária. Pode ser que aquilo que achei que estava faltando era isso mesmo, pra fazer com que eu mexesse meu esqueleto, meu coração, meu cérebro.
As vezes a vida nos força a ter uma outra visão, um caminho que talvez a gente jamais descobrisse se continuássemos acomodados na concepção de que tem de ser da mesma maneira sempre pois só assim daria certo.
Mentira!!! Comodismo é a palavra certa pra quem tem medo de enfrentar desafios. Nunca fui acomodada, mas diante de tantos acontecimentos, fora os mais anteriores que não citei, acabei me estagnando em idéias que não me deixavam saídas, desvios, ou sei lá o que.
Tenho medo ainda, talvez a vacina ainda não tenha criado todos os anticorpos necessários. Mas pelo menos sei que posso enfrentar, encarar muita coisa que julgava difícil. Sou forte! Sou fêmea! Sou mãe! Sou mulher!
Agora é encarar meu próximo desafio que é a minha liberdade emocional pra encarar outros patamares, que é a minha demissão definitiva. Sem esse elo, será mais fácil um novo plano de vida, uma nova mudança. Quem sabe até uma nova tatoo!kkk

Precisa-se de ajudantes domésticas, que cuidem, mimem, AJUDEMMMM a patroa! Acho que vou comprar um Bob (aqueles bonecos que servem pra lutar e não reclamam)!kkk
E a seguir... cenas do próximo capítulo. Bjo boa noite







2 comentários:

Drica Menezes disse...

Sabe Samara, eu acabei de pedir demissão de 20 horas do meu trabalho, eu tinha 40 horas semanais e agora tenho só 20 horas, trabalho só de manhã e a tarde estou em casa costurando e fazendo outras coisas, eu trabalhava como professora ha 13 anos e estava em uma depressao terrivel, fiquei 30 dias afastada do trabalho antes de conseguir tomar a decisao de reduzir, agora nem acredito, como estou melhor, ainda tomo sertralina mas já me sinto bem melhor, mais livre! mta sorte pra vc! mil bjks!

Fabiana Tardochi disse...

Oi Samara, obrigada pela visita e pelo comentário, volte sempre, adoro essa troca! Bom, quanto ao que vc está passando tomei essa decisão a 10 anos atrás e digo que foi a melhor coisa que fiz na vida! Pedi demissão e resolvi cuidar da minha casa, dos meus filhos, do meu marido.Meus filhos são pessoas melhores, com qualidade de vida e eu acabei me encontrando como mãe, esposa, dona de casa. A vida sem uma ajudante é difícil, mas eu consigo me virar bem com uma faxineira 2 vezes por semana. Acabo tendo privacidade, pq não é todo dia que vc quer ficar com a empregada em casa. Eu queria liberdade e consegui. Força, vc consegue pois como disse somo fortes, somos mulheres, mães, fêmeas! Bjs bom final de semana!

Ah,que bom que Tekel está bem. Eu perdi um cachorro - o Bisnky em 2004, e hoje tenho o Max , um beagle danado com 5 anos, e quando se resolve ter uma animal sabemos que é como um filho, necessita de amor, cuidados diários, e tudo envolve R$$$, então nos apegamos e são eles que muitas vezes escutam nossas angustias. Então não são apenas cães, são amigos incondicionais , né?

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